quarta-feira, 11 de junho de 2014

Redescobrindo caminhos, a importância dos corredores verdes para a conservação.

O Mosaico Carioca de Áreas Protegidas apoia e desenvolve o Projeto Corredores Verdes. Iniciado em novembro de 2011, o projeto conseguiu em pouco tempo transformar a paisagem do Canal das Taxas. A região que antes convivia com problemas como o despejo inadequado de lixo e esgoto, espécies exóticas, inúmeros acidentes com a fauna local, aterros, desmatamentos e ocupação irregular, já respira novos ares.

Desde o início, a equipe do Centro de Referência em Educação Ambiental de Marapendi vem realizando um trabalho de conscientização sobre a importância dos corredores verdes para a cidade com a produção de folhetos de educação ambiental e sobre a despoluição do Canal das Taxas, além de receber e avaliar as sugestões e reclamações dos moradores do entorno.

O trabalho de educação ambiental foi essencial para a construção do diálogo com a população local e os visitantes dos parques.

Para o trabalho de limpeza e manutenção do corredor contamos com a ajuda indispensável dos Garis da Comlurb.


Localizado entre os Parques de Marapendi e Chico Mendes, o Canal das Taxas foi o primeiro passo de um projeto que prevê a integração de todas as Unidades de Conservação do Mosaico Carioca através de Corredores Verdes.

 Capivaras dentro do corredor verde, permitindo a passagem da fauna sem conflitos com a população.


Ipê-rosa, lindo exemplar da nossa Mata Atlântica.

Este reconectar de fragmentos vegetais é extremamente importante à medida que possibilita que aves, insetos e até mesmo mamíferos da nossa mata atlântica possam realizar seus fluxos de migração entre as Unidades de Conservação. Isto permite que populações de fauna e flora de muitas espécies ameaçadas da Mata Atlântica aumentem seu potencial de dispersão. Fenômenos como a polinização e a dispersão de sementes, que são essenciais para o ciclo de vida de muitas plantas e insetos, serão favorecidos e aumentarão o potencial de ocupação dessas espécies.



Imagem da interação dos visitantes com a fauna. Lembrando sempre de não alimentar os animais silvestres, pois eles não possuem defesa e aparato digestivo adequados à nossa alimentação, podendo levá-los a morte por doenças transmitidas por nós mesmos.

Hoje, já temos implantados mais de dois quilômetros de corredores verdes comunicando o Chico Mendes e o Marapendi, que conta ainda com ciclovias e a construção de um espaço, a Praça da Capivara, que é destinada aos visitantes do parque e à Educação Ambiental. Nossos esforços se concentram, agora, na implantação do Corredor Verde que comunicará o Parque Chico Mendes e o Canal do Rio Morto e no planejamento da terceira etapa, Chico Mendes-Prainha.

Ciclovias junto ao corredor, a população é convidada a usufruir desse novo espaço.

Mapa do projeto Corredores Verdes com o trecho 1 completamente implantado.


O Mosaico Carioca de Áreas Protegidas se orgulha deste projeto e agradece os esforços e dedicação de Silma C. Santa Maria e equipe, além dos voluntários e moradores da região que abraçaram esta causa.

Ilha usada pelo nosso morador mais ilustre, o jacaré-de-papo-amarelo.

Grande parte do cercamento do corredor verde foi feito com toras, garantindo sua harmonia paisagística.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Disque Denúncia cria canal específico para crimes ambientais

O Disque denúncia criou recentemente o Programa Linha Verde, em parceria com a Secretaria de Estado do Ambiente, para receber e dar seguimento às denúncias de crimes ambientais. Como o anonimato da ligação é garantido, a iniciativa pretende aumentar o número de denúncias, que atualmente atinge a marca de 7,2 mil por ano entre crimes contra a fauna e flora, ameaças às Áreas de Proteção Permanente e Unidades de Conservação, e outros.
O telefone é 0300 253 1177 e o custo é o de uma ligação local. Ele recebe denúncias de todo o estado do Rio de Janeiro e também de outros estados do país.

(Via Agência Brasil - http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2014-06/disque-denuncia-cria-programa-para-combater-crimes-ambientais)

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Quênia, uma viagem para a Conservação - Última Parte

A visita ao Kenya Wildlife Service (KWS), em Nairobi, no Quênia, foi a última parada da delegação brasileira no continente africano. O crescimento populacional em Nairobi experimenta um ritmo acelerado e, por isso, a pressão urbana nas áreas naturais estrangula os corredores de passagem dos animais. Além disso, o Parque Nacional de Nairobi sofre com efeitos diretos do aquecimento global, que em poucos anos reconfigurou o perfil climático da região gerando novas áreas alagadas, bem como a conversão de antigas áreas chuvosas em zonas secas. Tudo isso torna a região susceptível ao aparecimento de espécies invasoras e supressão das nativas.

Existem ainda problemas com a saída de animais para a cidade, mas o KWS possui um serviço de resgate 24h, rápido e eficiente, acessado facilmente por telefone pelo cidadão, que localiza o animal e aguarda o resgate, participando ativamente deste “cuidado” com o Parque. A fiscalização é realizada pelos rangers (guardas-parque), que é feita de carro, a pé ou a cavalo. Eles também possuem cães, que farejam o marfim, e unidades de segurança e combate a incêndios treinada pelo CBMERJ, unidade de bombeiros do Brasil/RJ.

O KWS atua com outras unidades de monitoramento e segurança, como a Interpol, EARCO, LUSARA, Agreement e CITES. Possuem um banco de dados que reúne toda a informação sobre o crime ambiental e utilizam um software que está apto para rastrear vários tipos de caçadores e relacioná-los com grupos específicos ou não. Também utilizam informantes locais para o combate à caça e a prisão de caçadores, investem em treinamento e logística e pagam pela informação, desde que a mesma leve a uma ação efetiva.

Apresentação do Departamento de Inteligência do KWS.

Durante o encontro também foi realizada uma mesa de apresentações chamada Friends of Nairobi National Park, onde foram relacionadas as especificidades de se manejar um parque urbano: os casos dos PN Nairobi, PN da Floresta da Tijuca e Parque Estadual da Pedra Branca foram discutidos e muito pôde ser trocado, auxiliando no crescimento tanto brasileiro quanto queniano. Discussões sobre políticas de ecoturismo, incluindo terceirizações de hotéis, lodges, áreas de acampamento, estrutura de cobrança de ingressos, cartão fidelidade e treinamento de pessoal emergiram neste encontro.

Realização das mesas de apresentação das experiências dos parques africanos e brasileiros.

Estes e outros registros da nossa viagem estão no álbum de fotos da Página do Mosaico Carioca no facebook.

https://www.facebook.com/media/set/?set=a.545055418920701.1073741830.369846313108280&type=3

https://www.facebook.com/media/set/?set=a.546407148785528.1073741831.369846313108280&type=3

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Associação de Amigos do Mosaico Carioca


O Mosaico Carioca de Áreas Protegidas conta com a parceria da ong Associação de Amigos do Mosaico Carioca (AAMC) para apoio e desenvolvimento de atividades de conservação das UCs integrantes do projeto, otimizando a interação entre elas e a sociedade.
A promoção de caminhadas, cursos e mutirões está na agenda da AAMC que sempre divulga eventos e notícias relacionados à conservação do meio ambiente na capital fluminense.

Conheça a Página da AAMC no Facebook e apoie a Associação!

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Presidente do IBASE destaca a importância dos mosaicos

Há um ano o Ibase está engajado num projeto que tem como preocupação central o fortalecimento de Mosaicos da Mata Atlântica.
Trata-se de uma ação em parceria com Conselhos de Gestão, SEAM/SEA, INEA, FUNBIO, para fortalecer os Mosaicos da Mantiqueira, Carioca, Bocaina, Central Fluminense e Mico Leão Dourado, criados pelo Ministério do Meio Ambiente. Mas, para além das questões operacionais envolvidas, é importante que vejamos a novidade e o potencial que carregam os “mosaicos” na reconstrução e recomposição da nossa relação como seres humanos com a biosfera. A própria ideia dos “mosaicos” precisa ser abraçada pela sociedade, por toda cidadania ativa, pelo que traz de questionamento sobre os modos como nos organizamos, produzimos, e a necessidade de mudança de rumo, isto se nos preocuparmos com a justiça socioambiental e com a sustentabilidade da vida, de todas as formas de vida e do próprio planeta.
Ao reconhecer que áreas próximas de um mesmo bioma (de algum modo protegidas, mesmo se descontínuas, mas compartindo bacias hidrográficas e apresentando semelhanças e interdependências quanto aos ciclos da natureza e da vida), a criação dos “mosaicos” põe em destaque algo essencial nos territórios onde vivemos: o que são e como podem ser conformados os nossos bens comuns naturais, indispensáveis à continuidade da vida. Ser mosaico não é algo intrínseco. Somos nós, em última instância, que criamos o mosaico no esforço de preservar parte de um bem comum que ainda resiste e que pode ser regenerado. Aliás, o próprio caráter de comum não é intrínseco, e nem é um a piori. Ser comum é um resultado, uma consciência e uma prática comum. Os bens comuns não são comuns, mas se tornam comuns socialmente. Os bens comuns são aqueles que as relações sociais identificam e gerem como comuns. A necessidade sentida, almejada e enfrentada coletivamente leva a criar e desenvolver bens comuns. A desenfreada busca de acumulação capitalista privada promove a privatização e a mercantilização de tudo, cerceando e destruindo os bens comuns. O Ibase se engaja junto na viabilização dos “mosaicos” tendo esta motivação.
A Mata Atlântica foi quase extinta, começando pela empreitada da conquista colonial até o desenvolvimento predatório dos dias de hoje. A criação dos Mosaicos da Mata Atlântica só pode ser entendida no bojo de iniciativas que brotaram recentemente no seio da sociedade civil em defesa da Mata Atlântica. Mas a viabilidade dos “mosaicos” traz um grande desafio: precisam ser abraçados e defendidos socialmente como comuns, por todas e todos. Aí sim estaremos dando um passo decisivo na inversão de um lógica secular predatória e destrutiva. Afinal, resgatar e regenerar os “mosaicos” como nossos bens comuns naturais é mais do que resistir ao capital, é criar condições de outro modo de vida.
Na verdade, é impossível pensar os “mosaicos” e lutar por eles se não forem vistos e integrados como bem comum do território de que são parte. De uma perspectiva socioambiental, os territórios precisam ser vistos, eles mesmos, como bem comum, como espaços de vida humana que, como nos lembrou o nosso grande Milton Santos, combinam condições objetivas (suas características naturais únicas e o que nelas já foi fixado pela ocupação humana passada) com a ação humana do presente. Não são espaços físicos em si, mas espaços geográficos dinâmicos, com história humana passada e história humana em construção pela ação atual. O uso humano do território, predatório ou sustentável, qualifica a sua organização e lhe dá sentido histórico. Estamos diante do modo de ocupar e usar o espaço natural, de organizá-lo enquanto território humano, de vida em movimento. Portanto, a viabilidade dos “mosaicos” passa por nós, que estamos nos territórios e deles dependemos, assumirmos e lutarmos pelos “mosaicos” como bem comum. Mas para isto, ao mesmo tempo, precisamos resgatar o conjunto do território, dando-lhe um sentido de bem comum construído, e também precisamos romper com a lógica dominante ameaçadora de acaparamento, mercantilização, privatização e concentração de tudo, sem limites em sua capacidade destrutiva.
Repito aqui o que venho afirmando, como dirigente do Ibase, e sobretudo como militante de uma nascente cidadania planetária. A relação com a natureza, como condição do próprio viver, é de dependência e troca. As formas desta relação são diversas, tanto porque a biosfera e as condições naturais variam de um lugar a outro, como porque nós mesmos, criadores de cultura, de estruturas e relações, de economias e de poderes, somos muito diversos em nossa comum humanidade de dimensões planetárias. Os territórios, nas cidades ou no meio rural, exprimem esta diversidade resultante da simbiose, que se renova historicamente, de seres humanos com a natureza, a Mãe Terra, na radical expressão indígena. Voltar a nos ver como parte dos territórios, como nosso locus de existência, com suas possibilidades e limites, seus conflitos e sua história, pode ser o caminho de refazer e reconstruir a relação sociedade-natureza no respeito mútuo, de trocas vitais que reproduzem e regeneram, sem destruir. Trata-se de fazer um percurso mental e prático de relocalização, reterritorialização e redescoberta dos laços que nos unem ao bem comum natural em que nos inserimos e, com base nele, dos laços de convívio social e cultural, num planeta humanizado de interdependências, de responsabilidades e direitos compartidos, do local ao mundial, com justiça socioambiental, sustentabilidade e cidadania de todas e todos, de bem com a vida*.
Olhando atentamente para as lutas socioambientais nos territórios, a gente vê emergirem os pilares que precisam ser fortalecidos democraticamente em vistas da sustentabilidade da vida e do planeta. A luta democrática pelo resgate de bens comuns naturais, aqui identificados como “mosaicos”, é portadora de desafios, imaginários e direções para a necessária transição a paradigmas civilizatórios bioéticos, que, enquanto humanidade, precisamos fazer desde aqui e desde já. É nesta perspectiva maior que vejo o Ibase engajado com o projeto dos Mosaicos da Mata Atlântica.
Por Cândido Grzybowski
Sociólogo, diretor do Ibase
Retirado do site: http://www.ibase.br/pt/2014/05/mosaicos-e-territorios/

Eleição Colegiado Coordenador do Mosaico Carioca


No dia 15 de maio de 2014 o Mosaico Carioca de Áreas Protegidas esteve reunido com seu corpo de conselheiros consultivos no IBASE, situado no Clube de Engenharia, para eleger seu Colegiado Coordenador. Após meses de muito trabalho e dedicação da equipe do IBASE, o Mosaico Carioca já conta com seu Regimento Interno aprovado, um Plano de Trabalho relativo a Emenda Parlamentar, consignada pelo Deputado Alessandro Molon, e um Plano de Ação, a ser discutido nas próximas reuniões, para execução de trabalhos pelo Colegiado Coordenador até 2017.

Os Conselheiros que passam a compor o Colegiado Coordenador são:

Marcelo Andrade (Mona Pão de Açúcar)
Carlos Dário (Parque Estadual do Mendanha)
Daniel Tófoli (Parque Nacional da Tijuca)
Washington Adan - Gaúcho (Rede Carioca de Agricultura Urbana)
Ingrid Pena (Associação de Amigos do Mosaico Carioca)
Cristina Borges (Eco-marapendi)

Deixamos registrado nosso agradecimento aos Conselheir@s e ao IBASE por toda dedicação e tempo empreendidos para estas conquistas.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Zimbábue, uma viagem para a Conservação.

A viagem da delegação brasileira à África continua e dessa vez o desembarque foi na sede do Zimbawe National Parks and Wildlife Management Authority (ZNPWMA). Este órgão se destaca dentre as entidades de gestão de áreas protegidas por priorizar as atividades de campo. Assim, apresentam uma perspectiva interessante de suas políticas de recrutamento e treinamento, geração de recursos para o turismo e estratégias de investigação de crimes ambientais e operações anti-caça.


Atividades de Campo desenvolvida pela equipe no Zimbábue com a delegação brasileira.

Além disso, o ZNPWMA possui arranjos de cooperação para o manejo de um mosaico internacional de áreas protegidas. Os parques nacionais de Gonarezhou, no Zimbábue, Kruger, na África do Sul, e Limpopo, em Moçambique, formam juntos o Parque Transfronteiriço do Limpopo. Esta experiência de cooperação foi alvo de grande interesse da delegação brasileira, que também se dedica a implementar uma gestão integrada semelhante para as 28 áreas protegidas que compõem o Mosaico Carioca.

Outro modelo de gestão observado no Zimbábue foi durante a visita ao Malilangwe Conservancy. Sua missão conjuga conservação ambiental com o compromisso de ser um agente indutor da qualidade de vida das populações do entorno. Esta unidade de conservação emprega trezentos moradores das comunidades e parte substantiva do seu orçamento, que é proveniente de ecoturismo e doações, é investida em educação ambiental ou em cursos profissionalizantes. A visita a Malilangwe impressionou, sobretudo, pela capacidade da unidade de conservação (assim como Gonarezhou) de conjugar visitação com conservação, equação muitas vezes difícil de ser aplicada no Brasil, cujos parques e reservas ainda têm políticas e estruturas de ecoturismo muito aquém de seu potencial.

Acampamento no Zimbábue.

No cômputo geral, o intercâmbio com o Zimbábue foi especialmente interessante para a troca de conhecimentos nas experiências de reintrodução de espécies localmente extintas, combate a queimadas e pela oferta do governo do Zimbábue de treinar um grupo de brasileiros nas atividades de fiscalização contra a caça.