segunda-feira, 12 de maio de 2014

Implantação da Trilha Transcarioca

Os Mutirões para a implantação da Trilha Transcarioca já são um sucesso. O primeiro ocorreu no dia 22 de fevereiro de 2014 e contou com a participação de voluntários sinalizando o trecho inicial da trilha, Barra de Guaratiba x Pedra do Telégrafo. O evento foi coordenado pela Associação de Amigos do Mosaico Carioca, o Mosaico Carioca de Áreas Protegidas e a SMAC. Contamos também com o apoio do INEA (Parque Estadual da Pedra Branca - PEPB).

Dando continuidade a esta implantação foi realizado o 2° Mutirão de Sinalização, no dia 05 de abril de 2014, no trecho Pedra do Telégrafo x Praia do Perigoso. Mais uma vez contamos com a ajuda de voluntários que realizaram atividades de manejo de trilha, sinalização, carregamento de materiais e monitoramento. Guardas e funcionários do PEPB também foram fundamentais para o sucesso deste mutirão.

Nós, do Mosaico Carioca de Áreas Protegidas, estendemos nossos agradecimentos a todos os Voluntários, ao Gestor do Parque Natural  Municipal de Grumari, Alexandre Chagas, à SMAC, ao INEA, PEPB e Associação de Amigos do Mosaico Carioca.

É um trabalho gradual que pouco a pouco vai ganhando forma e concretizando nossa querida Trilha Transcarioca, esperamos que muitos visitantes possam passar por ela e desfrutar de suas belezas e encantos.

Seguem algumas fotos e se você ficou interessado em participar como voluntário entre em contato com a gente pelos e-mails: voluntariadomosaicocarioca@gmail.com ou mosaico.carioca@gmail.com








quinta-feira, 8 de maio de 2014

África do Sul, uma viagem para a Conservação.

A viagem da delegação brasileira à África do Sul com o objetivo de conhecer as políticas de segurança e manutenção de Parques Nacionais, com especial ênfase para as trilhas de longo percurso, foi mais um passo dentro da longa trajetória de cooperação entre os dois países que já dura quinze anos.

Na última década, várias delegações realizaram atividades de treinamento, congressos e seminários voltados à questão das unidades de conservação nos meios urbanos. As cidades do Cabo, na África do Sul, e do Rio de Janeiro foram alvos dessa parceria devido a sua similaridade. Ambas compartilham características geográficas e abrigam grandes áreas verdes em seu território, respectivamente, o Parque Nacional da Montanha da Mesa e o Parque Nacional da Tijuca.

Teleférico da Montanha da Mesa e Cidade do Cabo ao fundo.

A experiência da delegação brasileira neste país foi muito oportuna para a implantação da Trilha Transcarioca, pois a Hoerikwaggo, também de longo percurso, já se encontra em funcionamento e recebendo cada vez mais turistas desde o fim da Copa do Mundo de 2010, que teve lugar na África do Sul. O que mostra um legado valioso que o Rio de Janeiro pode desfrutar depois dos grandes eventos que sediará.

A Hoerikwaggo possui pouco mais de 87 Km e ao longo de seu percurso conta com cinco abrigos cuidadosamente planejados para combinar perfeitamente com o ambiente natural. Estes abrigos são paradas de descanso para os turistas que decidem fazer a trilha e contam com camas, banheiros e lugares para alimentação. Os abrigos foram estruturados com recursos públicos e são operados diretamente pelo pessoal do Parque.

O abrigo Smitswinkel, um dos quatro Tended Camps da Trilha Hoerikwaggo.

O acesso ao parque é controlado e o número de visitantes registrado nas três únicas entradas. O parque possui um protocolo de segurança diferenciado para cada tipo de trilha, que é responsabilidade exclusiva dos guarda-parques. São cerca de sessenta homens que percorrem diariamente todas as trilhas e estão preparados para combater ações terroristas, traficantes, ladrões e a supressão de fauna e flora.

Trilhas pavimentadas facilitando a locomoção dos visitantes. O equilíbrio entre permitir a acessibilidade e reduzir nosso impacto no ambiente é tênue e deve ser feito com extremo cuidado.

As trilhas são, em sua maioria, pavimentadas, em função do uso massivo pelos visitantes, e a atividade do mountain bike é permitida em algumas delas. A cobrança de ingressos se restringe a alguns pontos com maior atratividade turística, como a colônia de pingüins-africanos que se instalou em 1982 em Bolders Beach, uma praia abrigada composta por pequenas enseadas entre rochedos de granito.

Colônia de Pinguins.

Durante a trilha existem diversos mirantes para a cidade do Cabo e às praias e montanhas do parque. No caminho observamos a simplicidade da sinalização, a rusticidade no uso de materiais e o manejo que viabiliza seu uso para pessoas com alguma restrição física. Foi possível observar o padrão e a intensidade da sinalização, que assim como a Transcarioca também utiliza totens com o logotipo da trilha. Os totens são utilizados apenas em bifurcações ou quando não há bifurcações em trechos muito longos. Áreas de pic-nic e um plano inclinado no Cabo da Boa Esperança que permite a visita ao seu antigo farol também foram visitados.

Exemplo de Totem da Trilha na África do Sul. Sinalizações semelhantes já estão sendo implantadas na nossa Transcarioca.

Por fim, todas as atividades relativas ao planejamento, organização e implementação relacionadas ao aumento da visitação e à segurança das unidades de conservação que compõe o Parque foram discutidas em conjunto com a Prefeitura da Cidade do Cabo e demais instituições envolvidas, gerando planos de evacuação, gestão de desastres, coordenação de tráfego, comunicação e mídia, e áreas de responsabilidade mútua, o que permitiu que o Parque Nacional da Montanha da Mesa e a Trilha Hoerikwaggo se tornassem referências mundiais na gestão de unidades de conservação.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Cooperação Brasil e África, uma viagem para a Conservação.

Do dia 03 ao dia 16 de novembro de 2013 o Mosaico Carioca de Áreas Protegidas em parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica e atendendo ao convite da Embaixada do Brasil no Zimbábue, estreitou ainda mais os laços do nosso país com três nações africanas que são destaques quando o assunto é a conservação da vida selvagem através de parques: a África do Sul, o Quênia e o Zimbábue.

A equipe de técnicos brasileiros viajou motivada pelos relatos inspiradores do nosso colega e diplomata Pedro Menezes, um dos idealizadores e entusiastas da implementação da primeira trilha de longo percurso do Brasil, a Trilha Transcarioca com seus mais de 170 Km, hoje em processo de implantação.

A Delegação brasileira, composta pelo Coronel PMERJ José Maurício Padrone (6), Coordenador de Combate aos Crimes Ambientais da Secretaria de Estado do Ambiente do Estado do Rio de Janeiro; pelo Coronel PMERJ Eduardo Frederico Cabral de Oliveira (11), Comandante do Comando de Polícia Ambiental da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro; pelo Tenente-Coronel PMDF Claudio Ribas de Sousa (3), Comandante do Batalhão de Polícia Militar Ambiental da Polícia Militar do Distrito Federal; pela Capitão PMDF Isabela Cristina de Souza Almeida (1), Chefe da Subseção de Doutrina a Instrução Especializada da Polícia Militar do Distrito Federal; pela Primeira-Tenente PMDF Regiane Borges de Morais (9), Chefe da Assessoria de Análise Técnico Jurídica da Polícia Militar do Distrito Federal; por Ernesto Viveiros de Castro (12), Chefe do Parque Nacional da Floresta da Tijuca, ICMBio – MMA; por Patrícia Fonseca Figueiredo de Castro (7), Gerente de Unidades de Conservação de Proteção Integral do Instituto Estadual do Ambiente – INEA\RJ; por Alexandre Marau Pedroso (10), Chefe do Parque Estadual da Pedra Branca, Instituto Estadual do Ambiente – INEA\RJ; por Celso Junius Ferreira Santos (2) e Claudia Maria Bello Cintra Magnanini (5), representantes da Secretaria Executiva do Mosaico Carioca, da Secretaria Municipal do Meio Ambiente – SMAC, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro; por Guido Gelli (8), Diretor Executivo da Associação dos Amigos do Parque Nacional da Tijuca, e por Pedro de Castro da Cunha e Menezes (4), Conselheiro da Embaixada do Brasil no Zimbábue, idealizador da Trilha Transcarioca e mentor desta viagem à África.

Orgulhosos por fazer parte da delegação brasileira enviada a estes países, a Secretaria Executiva do Mosaico Carioca esteve representada por Celso Junius Ferreira Santos e Claudia Cintra Magnanini. Outras insituições componentes do Mosaico Carioca também marcaram presença, como o Instituto Estadual do Ambiente (INEA/RJ), o Instituto Chico Mendes (ICMBio) e o Parque Nacional da Tijuca (PNT). Além destes, representantes da Polícia Militar e Ambiental do Rio de Janeiro e do Distrito Federal também compuseram a delegação de doze pessoas que por duas semanas puderam conhecer algumas das mais importantes instituições de proteção da vida selvagem.

A missão da delegação nestes países teve como objetivo conhecer as políticas de segurança e manutenção de Parques Nacionais, com especial ênfase para as trilhas de longo percurso, além da realização de estudos e treinamentos com foco na prevenção e repressão de crimes ambientais.

Tanto o Quênia, quanto o Zimbábue e a África do Sul, possuem em seus parques nacionais a maior e mais variada diversidade de espécies de mamíferos em todo o mundo. Esse fato, associado à caça ilegal desses animais, seja para a subsistência ou para o comércio ilegal de marfim e chifres de rinoceronte, levaram esses países a montarem estruturas sólidas e bem organizadas de proteção ao meio ambiente. São países que contam com alguns dos mais significativos contingentes de guarda-parques do mundo, referência internacional em operações de segurança, combate aos crimes ambientais e fiscalização dos parques e trilhas com medidas de inteligência, prevenção e repressão.

Todo este conhecimento acumulado pelas instituições africanas, como o Kenya Wildlife Service e o Wildlife Management Authority, é extremamente valioso para o Brasil. Estas são referências mundiais em operações anti-caça e gestão em unidades de conservação e têm muito a oferecer ao nosso país, tendo em vista que nós também somos um dos grandes hotspots de biodiversidade do mundo, e não apenas por causa da Amazônia. O bioma Mata Atlântica, do qual fazem parte todas as unidades de conservação do Mosaico Carioca, abriga uma diversidade que é comparável a encontrada no próprio bioma Amazônico, demonstrando ainda mais a importância dos esforços empreendidos pelo Mosaico Carioca em conservar as áreas protegidas e implementar os corredores verdes entre estas.

Apresentação das experiências da Delegação Brasileira.


Traduzir a importância e a quantidade de informações adquiridas que vão desde as políticas e estratégias de segurança, até os simples, porém importantes, detalhes técnicos construtivos observados nas trilhas percorridas, é muito importante para o fortalecimento das ações do Mosaico Carioca e para a implementação da Trilha Transcarioca. Certamente existirão muitos “frutos para colher” da experiência ímpar que foi participar dessa viagem técnica.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Projeto Olímpico derrubará 200 mil m² de Mata Atlântica

Matéria divulgada no site da Rede Bandeirantes revela o novo traçado da Transolímpica.

O traçado original da Transolímpica já previa a passagem por dentro do Parque Estadual da Pedra Branca, com a nova alteração mais hectares serão devastados. Imagem retirada do Portal Transporta Brasil (http://www.transportabrasil.com.br/).

O novo traçado da Transolímpica, corredor expresso de ônibus que vai ligar a Barra da Tijuca a Deodoro, vai desmatar o equivalente a 20 campos de futebol da Mata Atlântica carioca. A decisão, em forma de decreto publicado no Diário Oficial do Estado, foi tomada com base em uma lei federal que permite a supressão de áreas de vegetação em casos de utilidade pública.

Serão quase 20 hectares do bioma, em estágio médio e avançado de regeneração, que serão eliminados. Para compensar a vegetação que será extinta, a Prefeitura do Rio informou que vai fazer o plantio de 40 hectares de espécies do bioma dentro do Parque Estadual da Pedra Branca. Segundo a Secretaria Municipal de Obras, a medida reduzirá de 497 para 25 o número de desapropriações necessário para a obra.

Previsto para ser inaugurado em 2015, o corredor terá 23Km e vai passar por 9 bairros. Em 2011, um relatório da Prefeitura apontou que metade da região da Zona Oeste, por onde vai passar a maior parte do BRT, é coberta pela vegetação da Mata Atlântica.

Em resposta, o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio-2016 ratificou ao UOL Esporte seu compromisso com a sustentabilidade. Em nota, informou que ele "começa dentro de casa". Por isso, o órgão compra madeira ou papel com certificado de manejo florestal, vai servir pescado produzido de forma sustentável nas refeições durante os Jogos e trabalha para a ampliação da acessibilidade em hotéis do Rio.

Sobre a Transolímpica, o comitê afirmou que a obra é um exemplo "do desafio que é a sustentabilidade". O órgão ressaltou que a derrubada das árvores só será feita para reduzir as remoções de famílias. Informou também que espera que a compensação da derruabada seja bem feita. "Para o comitê, é essencial que haja manejo adequado e contínuo até a completa recuperação do ambiente onde foi feito o plantio", complementou o comitê.

O comitê ainda ressaltou que não executa nenhuma obra olímpica. Porém, monitora a construção do campo de golfe e a despoluição da Baía de Guanabara. Sobre o campo de golfe, o Rio-2016 informou que a obra recuperará o terreno e multiplicará em cinco a área de vegetação do espaço. Já a despoluição da baía, segundo o Rio-2016, está em execução.


sexta-feira, 25 de abril de 2014

1° Mutirão de Voluntáriado do PNM Catacumba


Dia 27 deste mês, as 9h, ocorerrá o 1° Mutirão do Voluntariado do PNM Catacumba para desenvolver atividades de jardinagem, plantio de mudas e colocação de guarda corpo na trilha. Para mais informações entre em contato pelo email voluntario.guc@gmail.com ou pelos telefones (21) 98909-2059 e (21) 99610-1941, com Felipe ou Mário.
Participe!

quarta-feira, 5 de março de 2014

Conflito pela água no Parque Natural Municipal da Taquara

No dia 26 de fevereiro passado, ocorreu na sede do Parque Natural Municipal da Taquara, em Duque de Caxias, a reunião do Subcomitê da Região Hidrográfica da Baía de Guanabara - Trecho Oeste. Esta reunião foi convocada para tratar exclusivamente das ameaças da captação de água pela CEDAE no interior do Parque. A obra é consequência da instalação das unidades industriais da Coca-Cola nas dependências da antiga Fábrica de Tecidos Nova América.

Entenda o conflito pela água e a Unidade de conservação:

O Parque Natural Municipal da Taquara, em Duque de Caxias, faz fronteira com a APA Petrópolis, que faz fronteira com a reserva Biológica de Tinguá. Constitui parte do Mosaico Central Fluminense. Tem importante trecho de Mata Atlântica preservada, é visitado por milhares de pessoas no verão, pois é a principal área de lazer da região. Chegou a ser fechado para visitação devido às obras da CEDAE, mas foi reaberto para visitação por pressão pública.

A região tem abastecimento precário ou inexistente de água. A maioria utiliza poços. A população teme que a fábrica da Coca-Cola contamine o lençol freático com as unidades industriais ou que ela utilize também extração de água com poços industriais. Caso o uso seja muito intenso, a água pode desaparecer nos poços artesianos.

Segundo informações obtidas com conselheiros municipais de meio ambiente, a obra da CEDAE não é para atender esses moradores. Mesmo que fosse, a captação e tratamento deveria ser fora do limite do Parque Municipal. O Parque foi criado para proteger a fauna e flora locais, os rios, realizar atividades de Educação Ambiental, permitir o lazer e o contato com a natufreza. Tudo isso acontece no Parque Municipal da Taquara, que é pouco cuidado pela prefeitura de Duque de caxias, mas é o melhor da cidade. O abastecimento humano é prioridade sobre o uso industrial, segundo a Lei da Política nacional de Recursos Hídricos.

A Coca-Cola adquiriu o reservatório  da antiga fábrica  Fábrica de Tecidos Nova América, destruiu casas históricas de operários ( poderia ter deixado alguma em pé, para memória) e ameaça também uma igreja histórica. Até agora não vimos nenhum respeito ao patrimônio material e imaterial de Duque de Caxias.

Existem denúncias de que a empresa teria desviado também trecho do Rio Taquara para o reservatório. A Nova América, segundo a denúncia, utilizava apenas parte da água e a devolvia ao leito original, onde ainda corria água e tinha uma fauna rica. A Coca-Cola ainda devolveria a água, mas estaria desviando tudo à montante. Seguranças da empresa não deixariam pessoas se aproximarem para bater fotos

O reservatório que a Coca-Cola adquiriu parece que está contaminado por cianobactérias, que liberam toxinas. Sua limpeza é cara e as cianobactérias podem voltar. A CEDAE entraria aí, fazendo a obra de captação dentro do Parque.

Vamos esclarecer essas situações, lutar pelo Parque Municipal da Taquara e pelo direito à Água!

Se não tem água no lugar para os moradores, como querem fazer refrigerante?

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Manifesto do Conselho Gestor do Mosaico Carioca






O Conselho do Mosaico Carioca (PORTARIA MMA No- 245, DE 11 DE JULHO DE 2011), responsável pela gestão integrada e participativa das unidades de conservação e composto por gestores federais, estaduais e municipais, por representantes de instituições públicas e da sociedade civil, vem a público informar que acompanha com preocupação as mudanças que vem sendo efetivadas em órgãos responsáveis pela criação e gestão de áreas protegidas na cidade do Rio de Janeiro.
O Conselho faz votos de que as instâncias de decisão preservem e respeitem os avanços conquistados e os profissionais que participaram da construção do Mosaico, privilegiando nas suas ações acima de tudo a ética e o interesse público , em prol da sociedade e do meio ambiente em geral.

Auditório da Fundação Rio Zôo, Quinta da Boa Vista, 30 de janeiro de 2014.